Ensaio

Desde cedo, desde quando comecei a ter medo, queria só ser escritor.

Liberar meu verso, meu verbo, meu sujeito, minha dor.

Sou egoísta. Eu prezo o prazo, a perder de vista. Não insista.

Meu vocabulário está esgotado. Vem cheio de termos e segredos do calendário.

Quero me livrar de vez desta voz que vem, – a dois por três – e decreta:

Neste mundo é melhor ter seu próprio mundo. É melhor ser apenas poeta.

Ensaio um arremedo, mas saio cedo e deixo a janela semiaberta.