Chove na Capital

Chove na capital. Espero o ônibus de sempre e, como sempre, atrasado. Não só eu, mas o motorista, o cobrador e os outros cinquenta e poucos passageiros. Sim, claro, está lotado, pra variar. Mal dá pra se acomodar e ficar de olho nas paradas.O único movimento que sentimos é a inércia, com as freadas bruscas e as arrancadas de sopetão.

Além do desconforto, a impossibilidade de se movimentar naquele aperto, algumas pessoas insistem em se levantar e atravessar o ônibus para descer só depois que o ônibus pára.

Uma etapa do sufoco passa quando desço. Mas tem uma outra batalha: atravessar a rua. Que martírio! Por mais que eu vá pra faixa de segurança, sempre fico mofando alguns minutos. E aí chego atrasado.

Não, não coloco a culpa na faixa, nem no motorista nem na outra meia centena de pessoas. A culpa é do relógio! O relógio que teima em se adiantar em relação ao horário que eu chego. Hã?  Hein?! É, deixa assim.

Às vezes o dia passa correndo, noutras se arraaaaasta. Mas é isso mesmo, tem que ser. Outra coisa que não muda é a pré-disposição do ser humano de reclamar. Se está calor, reclamam do calor e  se chove, reclamam da chuva… Já não sei de mais nada.

Ouça no player abaixo:

(Música incidental – Chove Chuva, de Jorge Benjor – cantada pela italiana Mina)