Nem te conto

Um nome de mulher bate à porta. Convida a sair. Era só o nome. Sem ninguém no lado de fora. A noite já avança a galope. Uma flecha torta quebra o silêncio gelado. Não importa mais nada. A calada avenida vagueia solitária.

Na esquina da tristeza: um bar, uma mesa. Cerveja não desce mais. O que cai é um corpo. Como um copo, mas em câmera lenta. Cambaleia, o equilíbrio tenta. Senta, mas não agüenta.

O peso dos anos, da barriga e da ausência, já não suporta mais o coração mergulhado em líquido etil-sanquíneo.

Irrompe a artéria aquela mescla de conteúdo vital com fermentação químico-natural. Não há mais o que se faça. Desgraça. A vida passa, o gato corre atrás da caça. Nenhuma ameaça. Não há trapaça. Só fumaça. Lua cheia ainda, bem-vinda! Horas a fio no meio-fio vencendo o frio.

O primeiro ônibus já anuncia a despedida. Sede e sono. “Levanta-te e anda!” Não era Cristo, nem o padre, nem o pastor. Era o dono da padaria que sugeria um novo dia.